Trevor estava com o olho tremulo, admito que aquilo me deixou com medo, ele sempre fora tão alegre.
- Trevor? Ta tudo bem?- perguntei preocupada.
- Demi me desculpa, eu fiz de tudo, mas eu não consegui fazer meu pai mudar de idéia- ele disse chorando- Eu vou me mudar, vou pra Londres, desculpa
Paralisei, não conseguia me mecher, sentia meu coração se desfazendo em mil pedaçinhos, o homem que eu mais amava nesta vida estava indo embora.
- Diz alguma coisa...Por favor- Eu sentia o peso e o sofrimento em suas palavras, o que me deixava mais triste ainda
Abraçei ele forte, ele sussurrou eu te amo em meu ouvido, era a primeira vez que ela falava aquilo, também era a última.
- Não me deixa...Por favor- sussurrei, foi o a única coisa que conseguiu sair de minha boca.
- Eu queria, me desculpa, mas eu tenho que ir, eu tenho que fazer faculdade, e você também...Olha, eu sei que vai ser difícil, mas você consegue, Você é Demi Lovato, minha Demi, você vai superar isso.
- Não vou não, eu não sou tão forte quanto você pensa.
- Demi...Escuta, eu to falando isso por que eu não vou voltar, nunca mais, então me promete uma coisa?
- Claro- disse ainda entre mil lágrimas.
- Promete que vai ser forte, vai se apaixonar outra vez, vai ter filhos, e vai ser feliz!
- Eu não sei se consigo...
- Eu acredito em você, promete?
- Ta.
- Eu teho que ir, se cuida?
- Se cuida também!- Ele me puxou pra mais perto para um último beijo, depois foi embora. Vi seu corpo desaparecer cada vez mais.
3 Meses depois:
Eu estava na faculdade, eu moro na república da faculdade, eu estava no ginásio da escola, jogar um pouco de basquete me ajudava a melhorar, era o que eu fazia quando estava com ele.
Mas na verdade o jogo pouco importava, só estava tentando tirar a solidão de meus pensamentos.
-Oi – disse uma voz desconhecida.
- Oi- disse me virando, era um garoto que nunca antes.
- Posso jogar com você?- ele perguntou sorrindo.
- Claro!- disse e me virei para fazer uma cesta, e atingiu perfeitamente a cesta, ele jogou e quase foi cesta, mas a bola escapou por um tris.
- Você joga bem pra uma garota!- disse ele sorrindo.
- Você joga bem pra um machista!- disse e soltei um riso abafado.
- Eu não sou machista, é só que a maioria das garotas não jogam – disse ele, logo se aproximou e estendeu a mão pra mim- Sou Joe!
- Demi! – disse apertando sua mão. Fiquei paralisada, aquele toque era semelhante, as mãos de Joe eram tão macias quanto as mãos de Trevor.
- Demi? Ta tudo bem?- Joe perguntou com um olhar preocupado.
- C-Claro, não é nada.- Disse gaguejando.
- Então, o que faz aqui na quadra?- Perguntou ele quase suplicando para que eu tirasse o tédio de sua noite.
- Só jogando, as vezes me ajuda.- Disse jogando a bola outra vez, cesta, de novo.
- Ajuda? Em que? – Perguntou ele interessado.
- A esquecer- Disso fechando os olhos, e abrindo eles outra vez, para mais uma cesta.
- Esquecer o que?- Perguntou ele.
- O passado – Respondi.
- Da pra ser mais específica?
- Da pra parar de fazer perguntas?
- Ta mas, sei La, você parece triste, seria melhor desabafar!- Disse ele com certo tom de ironia.
Revire os olhos.
-Ta...Foi um...- Não consegui terminar a frase.
- Garoto? – Joe disse com uma sobrancelha erguida.
- É, a gente tava namorando e ai ele teve que ir embora, e... Eu não consigo superar- Senti uma lágrima solitária cair, limpei ela antes que ele pudesse ver.
- Hum, A quanto tempo?- Perguntou Joe, ele estava mesmo interessado.
- Hoje faz exatamente 3 meses.- Disse e me sentei em uma cadeira da arquibancada.
- Já tentou conhecer outra pessoa?- Perguntou ele.
- Ele me fez prometer que eu iria superar e encontraria outra pessoa, mas não acho que possa cumprir.- Coloquei minha cabeça entre a mãos.
- Vai sim! Eu posso te ajudar, daqui a uma hora vai ter uma festa de um amigo meu, você pode ir, quem sabe você se interesse por algum cara- Disse ele tentando me animar.
- Não sei se é uma idéia boa...
- Você tem que tentar, olha, você vai pra república agora, e se arruma daqui 50 minutos apareço la pra te buscar, ok?- Disse ele erguendo as duas sobrancelhas.
- Ta- Disse e ele sorriu torto.
Me levantei em um pulo, ele se aproximou para um abraço, senti seus braços ao meu redor, fiquei paralisada, denovo, os braços dele tinham o mesmo calor que tinha os braços de Trevor.
Ele se afastou, sorriu torto e foi embora, depois fui pra república, vesti um vestido roxo tomara que caia, de uma palma acima do joelho, arrumei meu cabelo e me maquiei. Aquele era o vestido que usei em minha formatura, foi naquela noite que recebi meu primeiro beijo, de Trevor.
A campainha tocou, nem me toquei que o tempo havia passado, desci as escadas desiquilibrada, quase caindo.
Continua...